Como funciona a terapia com crianças? Entendendo a Psicologia Infantil
- Giovanna Mandarino
- há 15 horas
- 2 min de leitura
Existe um modelo clássico quando pensamos na clínica psicológica: uma pessoa, o paciente, sentado ou deitado, falando diretamente com outra pessoa, o psicólogo. No entanto, este mesmo modelo causa certo estranhamento quando pensamos em uma criança no papel de paciente. A psicologia infantil pede outras formas de terapia. Por que será?

Apesar de as crianças aprenderem a falar, dentro do esperado cognitivamente, já na primeira infância, o modelo de clínica clássica não funciona para elas. Isso se dá por alguns motivos:
A criança, até atingir o estágio Operatório Formal (por volta de 12 anos), ainda não tem capacidade cognitiva de abstração plena. Isso significa que, apesar de ser capaz de conversar, evocar memórias e, certamente, elaborar seus sentimentos e experiências da sua própria forma, ela ainda não é capaz de acessar completamente as ideias passadas apenas pela verbalização.
Durante a infância, a criança ainda está em uma fase exploratória, portanto a utilização de apenas uma linguagem- neste caso, a verbal-, não é suficiente para que ela tenha sua completa satisfação de desenvolvimento. Nos anos iniciais da vida, a criança tem a necessidade de utilizar as demais linguagens que nós, adultos, acabamos nos afastando conforme crescemos: a brincadeira, o corporal, a arte, a música, a escrita.
Não há um modelo de clínica que funcione para todo ser humano. Tanto trabalhando com crianças quanto com adolescentes ou adultos, não faz sentido pensar em um modelo rígido e único de atendimento. As crianças são, assim como nós, sujeitos únicos e que merecem receber total atenção e respeito do terapeuta quando entram em um espaço terapêutico. Portanto, o atendimento deve ser feito não só pensando nas especificidades de uma psicologia com crianças, mas também nas especificidades de toda criança que adentrar no consultório.
A partir dessas reflexões, já fica claro que a clínica com crianças precisa de uma estrutura diferenciada. Além de não se basear apenas no discurso falado, é preciso deslocar-se do lugar confortável de adultocentrismo. No consultório psicológico infantil, quem rege o trabalho é a criança.
Isso significa que, sem dúvidas, essa criança será trazida por adultos- normalmente, seus cuidadores principais-, e recebida por outro adulto na clínica. A partir deste primeiro contato, serão colocadas as preocupações e objetivos principais com a criança. No entanto, ao longo do trabalho terapêutico, a própria criança trará questões, acontecimentos e sentimentos que se tornarão a principal bússola para o caminho sendo trilhado na terapia.
De acordo com a idade de cada criança, e também com o desenvolvimento pessoal dela, serão necessários dispositivos de apoio para que ela transite nessa percepção e abertura para um crescimento mais consciente e ativo sobre si. No caso da clínica psicológica infantil, tais dispositivos serão brincadeiras, desenhos, jogos, danças- tudo que convocar a criança a andar pelo caminho interessante, porém as vezes desconfortável, do conhecimento de si e desenvolvimento pessoal.

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